sexta-feira, 3 de junho de 2011

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...


 Álvaro de Campos

11 comentários:

  1. Gosto Tanto Carina!!!
    Adoro memso miuda!
    Beijinho grande*
    MUUAAAAAHHHH

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  2. Álvaro de Campos quem escreveu =)

    Adoro*

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  3. Ora, este é mais um belo poema de Álvaro de Campos!

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  4. - angélica: também eu, assim que o li *-*

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  5. Paulo Morais: pois claro Paulinho, sabes que eu tenho sempre bom gosto (a)
    <3

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  6. Alguém: obrigada, é que eu não conhecia e encontrei na net mas não tinha autor :s

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  7. Little Secret: pois é, parece que é de um dos heterónimos . obrigada (:

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